
Orgulho e preconceito – Jane Austen
Elizabeth Bennet sofre de seus pais uma forte pressão para se casar. Apesar de o amor não lhe interessar, ela ainda se preocupa em achar um par que lhe condiz em status social. Além disso, deve ser um homem íntegro, bom marido, que a trate da maneira que merece. É por isso que, apesar das faíscas que nascem quando ela e o senhor Darcy se conhecem, ela se recusa terminantemente a desenvolver qualquer sentimento por ele. Só porque Darcy é rico, ele se acha no direito de maltratar os Bennet, principalmente Elizabeth. Mas Meryton é pequena demais para eles se ignorarem, e pode ser que esse nem seja o desejo deles.
Jane Austen nunca erra! Faz muito tempo que eu não lia um clássico por vontade própria. A sátira da autora é sempre muito boa, mas eu gostaria que fosse um pouco mais forte. Eu não consigo não comparar Orgulho e preconceito a Emma, meu favorito da autora. Por isso, pra mim, poderia ter tido mais crítica social e sátira, já que esses são os fortes da Austen. O que é o Mr. Collins, né? Zoação extrema.
A história começa um pouco lenta, mas a Miss Bingley e o Mr. Collins no primeiro volume alegraram a minha vida. O segundo e terceiro volumes já têm mais emoção e movimento (nem me falem da Lydia, que a vontade de entrar no livro pra dar na cara dela e da Kitty é imensa).
O romance aqui está muito bem escrito, e você consegue acompanhar bem a mudança do sentimento da Elizabeth. Nesse ponto, acho que Orgulho e preconceito é um dos melhores da autora – Austen tende a só revelar os sentimentos da heróina para ela e para o leitor no último momento, sem dar muitos indícios prévios. Aqui, conseguimos acompanhar a lógica de Elizabeth conforme ela recebe mais informação sobre o Mr. Darcy. Agora, pra alguém que é famosa pelos seus ótimos diálogos, esse livro tem muitas cenas importantes, que o diálogo é resumido em prosa, o que me entristece.
Adorei a neurótica da Mrs. Bennet, o ausente mas querido Mr. Bennet, e até o doido do Mr. Collins baba-ovo de rico. Achei o Mr. Darcy uma ótima representação autista e um fofo quando revela seus sentimentos. Infelizmente, acho que a Elizabeth não tem algum traço de personalidade mais forte. Ela é muito observadora e petulante quando deve ser (a conversa final com a Lady De Bourgh foi INCRÍVEL), mas com isso ela fica muito apagada na maior parte do livro. Isso muda no terceiro volume, quando a personalidade dela fica mais claramente demarcada, mas senti falta até lá.
De qualquer jeito, um romance primoroso que vale a pena ler, talvez em tradução porque achei a linguagem mais chatinha do que os outros da autora (que hábito dos autores daquela época de misturar a ordem das orações numa língua que não fica muito bem toda trocada!). Quero assistir ao filme agora, porque só vi Orgulho, Preconceito e Zumbis (que é ótimo).
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