
Búfalos selvagens – Ana Paula Maia
Deixando para trás a caminhonete e os animais mortos nas estradas, Edgar Wilson volta às suas origens: o matadouro do Milo. Rosário, a esposa do dono, contrata Edgar, o ex-padre Tomás e Bronco Gil para cuidarem de um rebanho de búfalos selvagens, cuja carne, cara, eventualmente será vendida.
Mas como sempre perseguido pela morte, Edgar Wilson encontra o cadáver de um palhaço na beira da estrada. Num piscar de olhos, ele se envolve com o Circo das Revelações, liderado por uma vidente necromante infantil que promete amparo para os sobreviventes do apocalipse. Matadouro e Circo vizinhos, o dia-a-dia de Edgar se desfaz entre morte e entretenimento, e a tensão entre palhaços e matadores só piora conforme as suspeitas crescem.
Fiquei confusa com Búfalos selvagens. Acho que a autora se embananou na organização da narrativa da trilogia. Teria sido muito melhor se essa história do circo tivesse sido o segundo livro, não o terceiro. Acho legal o Edgar voltar a trabalhar no matadouro nesse último livro, é um bom encerramento de ciclo. Mas as duas tramas só se entrelaçam pela proximidade do matadouro e do circo, porque de resto, são duas coisas diferentes.
É sempre um prazer rever Edgar Wilson, e gostei muito de como vemos um lado dele um pouco mais humanizado aqui. Ele demonstra sentimentos! Ele chora! Eu amo esse homem!
É triste que Búfalos selvagens só começa tramas, mas não as termina. Rura, o cachorro, aparece umas 3 vezes. Vemos Edgar, Bronco e Tomás trabalhando no matadouro só por uns dois dias. E o circo… Não entrega nada? Tudo em relação a ele acontece no último capítulo, com uma resolução pouco satisfatória que é meramente contada ao leitor, que quase não presencia nada. A narração é cheia de frases de efeito forçadas sobre o apocalipse do segundo livro que são confusas e não adicionam nada às consequências psicológicas do evento, o qual com certeza deveria ter encerrado a trilogia ao invés desse final aberto que me deixou com a sensação de ter lido apenas meio livro. Acho que essa foi uma prova para a autora de que a sua força está em narrativas contidas em si mesmas, não trilogias.
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