
A guerra da papoula – R. F. Kuang
Rin quer fugir do destino que sua família definiu para ela. Se quase se matar de estudar é a saída para não se casar com um velho nojento, que seja. Depois de fazer o exame imperial e passar na prestigiosa academia Sinegard, Rin imagina que seus problemas acabaram. Infelizmente, uma garota pobre e de pele escura não tem muito lugar no meio da elite. Rin deve estudar com mais afinco do que todos os outros, com a ajuda de seu mentor espirituoso, esquisito e levemente viciado em drogas. É com a ajuda dele que a jovem desperta o poder xamânico da vingativa deusa Fênix, que será muito útil quando explode uma guerra com uma nação vizinha. Mas os deuses não ligam muito para os que são fracos, e para conseguir o que quer, Rin talvez tenha que perder uma parte importante de si.
Uma leitura rápida e chocante, passei dias só pensando em A guerra da papoula. A escrita é super fluida e é difícil acreditar que esse seja o primeiro livro da R. F. Kuang. Cada cena é um soco, a tensão não melhora em nenhum momento, a personagem principal é maluca… Não é à toa que esse livro entrou em 8º lugar no meu top 10 de 2024.
Nem tudo é perfeito: não gostei de como, no começo, parece que o ópio será uma questão central na história e que seu uso trará duras consequências (principalmente depois da fala da diretora de Sinegard), para ser tratado com leviandade no momento em que conhecemos a Cike. Achei pouco criativo o papel do Nezha como Draco Malfoy, ainda que eu adore o personagem. Não fica claro se e quando a Rin descobre que o Jiang é o Gatekeeper – o leitor descobre e, mais pra frente, parece que ela sempre soube. E não entendi direito a ideia de Nikara ser um país tão bélico, mas que apanhe TANTO na guerra.
Mas é só isso.
Adorei a Keju e os estudos da Rin em Sinegard – para mim, a melhor parte de A guerra da papoula e poderia ter sido maior. A cena da menstruação da Rin vai ficar marcada na minha memória, e na de muita gente, para o resto da vida. Gosto muito da Rin, mas também do Jiang, do Nezha, do Kitay e do Irjah.
O mundo é incrível. Kuang se baseia história chinesa, que eu estudei bem pouco. Ainda assim, foi bom entrar já sabendo do básico. A autora teve muita coragem em começar uma guerra na metade do primeiro livro da trilogia, e eu acho que valeu o risco. É muito chocante, atrocidade atrás de atrocidade, e muitas cenas incríveis saem disso.
Outra coisa que normalmente não vejo muitos autores fazendo (além de matar personagens principais sem dó) é a passagem rápida do tempo. Pelos meus cálculos, se passam uns cinco anos desde que a Rin começa a estudar pra Keju até o fim de A guerra da papoula. Isso evitou muita enrolação na história, mas não sei se a R. F. Kuang fará nos outros.
Esse é um livro sobre guerra e suas atrocidades. No começo, parecia que seria sobre o ópio ou os estudos da Rin. Mas é sobre a busca de poder pelo poder, de sentir o gosto dele e querer mais. E, sinceramente, não vejo um final feliz no horizonte.
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