Estou feliz que minha mãe morreu – Jennette McCurdy ?>

Estou feliz que minha mãe morreu – Jennette McCurdy

Quando nós víamos iCarly quando éramos mais novos, tudo parecia incrível. Nós queríamos viver a vida que Miranda Cosgrove, Jennette McCurdy e os outros atores nos apresentavam. Mas por trás das câmeras, a vida das estrelas era bem pior do que nós poderíamos imaginar.

Jennette McCurdy teve que lidar com uma mãe narcisista e abusiva desde pequena. Mas uma criança ama a sua mãe e quer fazê-la feliz, não é? Ela fez tudo o que sua mãe pediu – perdeu peso, fez dietas malucas, chorou em audições, começou uma carreira musical… A lista só cresce.

Mas uma pessoa tem limites. Os anos passam, a disfuncionalidade aumenta, e a fama de Jennette parece que vai acabar com ela. Mas sua mãe morre de câncer logo depois do início de Sam & Cat. Depois de começar a terapia, Jennette começa a reavaliar toda a sua vida e sua relação com a mãe.


Eu não leio muita não-ficção. É difícil pra mim achar algo que me interesse e me prenda. Eu estava um pouco receosa, com medo de que eu não gostaria de Estou feliz que minha mãe morreu. A edição inglesa dele é grande e pesada, intimidadora. Eu amei. Não é à toa que entrou em 4º lugar no meu top 10 de 2024. No Brasil, o livro saiu pela editora nVersos.

Capítulos curtos bem do jeito que eu gosto e uma escrita muito cirúrgica. Fica muito claro o que a Jennette quer que você sinta em cada capítulo, e ela é tão objetiva que é impossível que você não fique à mercê dela. Adorei a estratégia dela – ela escreve as cenas da sua infância sem um julgamento direto, e é graças ao tom dela que vemos o quão perturbador tudo foi, o quanto ela ficava desconfortável quando mais nova e o quão brava ela está hoje em dia.

A temática é interessantíssima e cai perto do que eu normalmente leio no gênero. Esse é o primeiro livro que leio sobre transtornos alimentares e achei tudo feito com muito tato. Não escondeu a realidade mas também não foi grosseiro. Na época que li, estava conversando bastante sobre transtornos alimentares com a minha turma, e foi aí que aprendi como existe toda uma comunidade na internet sobre isso. Não para recuperação, mas para se incentivarem. Estou feliz que minha mãe morreu é uma janela para essa comunidade e gostei de ver o ponto de vista de alguém que sofreu com isso por tanto tempo.

A questão do abuso da mãe da Jennette é de deixar o cabelo em pé. Cada vez mais vemos como atores infantis normalmente têm famílias completamente disfuncionais (preciso assistir a Quiet On Set). O leitor e a narradora sabem o quão horrível é tudo que está acontecendo, mas a jovem Jennette, não (ainda não superei a cena que a Debra acorda de um coma e a primeira coisa que ela fala é que a Jennette está gorda).

Ver mais do que acontecia na Nickelodeon foi um choque. Quando mais nova, eu me recusava a assistir qualquer coisa que não fosse animação, mas iCarly era uma das poucas séries que eu gostava e assistia sempre. Meu pai, que nunca assistia TV comigo, se sentava para ver iCarly. Eu sei que quando o livro saiu teve um monte de gente hateando a Miranda Cosgrove, mas é gente que não leu o livro direito.

Se você gostou de Estou feliz que minha mãe morreu, de Jennette McCurdy, você vai gostar de:

Earthlings – Sayaka Murata;

The Dancing Girls of Lahore – Louise Brown;

Conversations with Friends – Sally Rooney.

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