Through Gates of Garnet and Gold – Seanan McGuire ?>

Through Gates of Garnet and Gold – Seanan McGuire

Nancy está decidida a passar o resto da eternidade como uma estátua viva, sem respirar, piscar ou deixar o coração bater. Depois de tantas aventuras com seus amigos da Terra, a jovem está pronta para chegar o mais perto da morte possível para ser uma bela decoração para o Lorde e a Lady dos Mortos.

Mas quando estátuas começam a cair mortas e espíritos começam a aterrorizar os vivos, Nancy precisa voltar à escola de Eleanor West para buscar mais heróis para salvar a sua casa.


Por acaso eu acabei de presenciar Seanan McGuire destruindo toda a premissa de Crianças desajustadas?

Pra começar, estamos no livro 11 e continuamos correndo atrás da Nancy. Por quê? A personagem já teve o final feliz dela séculos atrás, deixe ela descansar! A expansão da construção de mundo dos Halls of the Dead foi muito boa, necessária porque quase não tivemos isso nos outros volumes em que ela aparece. Mas não é possível que tenham tantas personagens nessa série e a gente tenha que voltar sempre pra cá. O grupo é composto basicamente das mesmas pessoas e ninguém evolui. Pelo contrário, esse livro fez um desserviço à série como um todo.

Reciclar tramas não é comum nos livros da McGuire, então foi uma surpresa. Não há nada de novo em Through Gates of Garnet and Gold, não precisaríamos ter voltado para esse mundo em específico. E gente? A mesma vilã de novo? Ah, me poupe. Aconteceram muitas coisas importantes em livros anteriores que mal são mencionadas.

Os diálogos estão tenebrosos neste volume; bem irreais, muitas vezes esses adolescentes parecem crianças falando, enquanto em outras elas têm falas bem adultas.

Agora, é insano como as personagens não respeitam nada do mundo. Talvez tenha sido uma tentativa de alívio cômico ou para mostrar como elas pensam diferente, mas saiu pela culatra. A Miss West preza muito pela compreensão de seus alunos em relação às individualidades dos outros. O grupo fica questionando e criticando os Halls of the Dead o tempo todo. O próprio Lorde dos Mortos, praticamente um deus, é desrespeitado pelos vivos e pelos mortos a ponto dele discutir como uma criança com todo mundo. Chega ao ponto do mundo inteiro virar piada quando antes era muito sério e lógico, com regras claras que, se não fossem seguidas, causariam uma Porta a se abrir, simplesmente. PAREM DE CRITICAR UM MUNDO QUE NÃO É DE VOCÊS!!!!

Peguei também duas inconsistências grandes. A primeira é o fato do Lorde e da Lady dos Mortos serem poderosos só quando convém à trama, senão eles não conseguem fazer nada. A segunda é Talia, uma nova personagem, que não consegue se decidir se ela se importava com mariposas antes de ir pro mundo das mariposas ou não. Ninguém leu esse livro pra perceber uma inconsistência tão gritante assim? Ela teve um monólogo diferente pra cada opção!

E que crime foi esse final. Ele nega absolutamente tudo que os outros livros vêm construindo. Onde está o TENHA CERTEZA? Ninguém merece ter um final feliz? Não era esse o princípio da série?

Decepcionante até dizer chega, só posso esperar que os próximos melhorem.

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Crianças desajustadas parte 3 – Seanan McGuire;

As Tumbas de Atuan – Ursula K. Le Guin.

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