A vida secreta das abelhas – Sue Monk Kidd ?>

A vida secreta das abelhas – Sue Monk Kidd

Lily não gosta de sua casa. Prestes a fazer 14 anos, a garota vive com o pai maldoso depois da morte da mãe. A única pessoa que é legal com ela é Rosaleen. Rosaleen é a babá de Lily, e ela é negra. Talvez isso não faça diferença para você, mas para uma babá negra e sua protegida branca, nos EUA de 1964, faz.

Decidindo acompanhar Rosaleen em uma ida à cidade, Lily vê a babá ser injustamente agredida por um bando de homens. A justificativa? Nenhuma válida. A consequência? A prisão. Mas não a prisão dos homens, não. A prisão de Rosaleen.

Farta da cidade, do pai e dos maus-tratos, Lily decide fugir. Não sozinha, mas com a babá. A vontade da garota é de ir para Tiburon, uma cidade que esconde algo sobre a sua mãe. Algo importante, uma parte dela.

Já em Tiburon, Lily encontra as irmãs Boatwright. As três a ensinam muito, não só sobre si mesma, mas sobre o mundo, os homens e as abelhas. Sim, abelhas. As irmãs Boatwright são apicultoras, criadoras de abelhas. Elas fazem o mel da Madona Negra, famoso e requisitado por todo o país.

Por Lily, ela passaria o resto da vida com as irmãs, Rosaleen e as abelhas em Tiburon. Pena que isso não depende só dela.


A vida secreta das abelhas é muito interessante. Ele traz uma discussão forte sobre o racismo, inserido no conceito cultural do século passado. Ainda não vi o filme, mas a intenção está sempre aí, não é mesmo?

Não achei a capa bonita nem feia. É uma capa meio sem graça, na verdade. O fato da lombada ser laranja e o resto ser amarelo me incomoda horrores; eu organizo meus livros por cor, oras! Quantas vezes eu já não procurei esse livro na parte dos meus livros amarelos e não achei? Já perdi a conta. A diagramação incomoda um pouco, as letras ficam muito juntas. Isso dá um peso a mais no livro, o que acaba atrapalhando e deixando a leitura mais devagar.

A escrita da Sue Monk Kidd não é lá muito fluida; parece que estou andando em um chão de pedra e tem uma tachinha presa na sola do sapato. Toda vez que eu dou um passo, faz TEC! Não me impediu de ler o livro em pouco tempo e aproveitar, mas eu teria sido bem mais envolvida pela leitura se não fosse essa tachinha no sapato.

As personagens são muito legais; empoderamento feminino na veia. Todas elas são bem escritas, mas tenho um amor especial pela August e pela June. As duas têm personalidades ótimas, me senti acolhida pela August e adoro o temperamento frio da June. Outra personagem maravilhosa é a Rosaleen. Ela sempre joga um balde d’água na cara da Lily pra ela acordar do mundo dos sonhos onde ela vive. Lily, por sinal, é meio trouxa.

A história é muito maravilhosa. Como eu disse, é uma forte discussão sobre racismo e empoderamento feminino. A vida secreta das abelhas traz uma visão que eu só conhecia de longe do racismo nos Estados Unidos no século XX. O final ficou muito solto, infelizmente, mas o resto é realmente envolvente e te faz querer terminar o livro em um dia só.

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